ELE ESTÁ MAIS VELHO, MAIS CHATO, MAIS FEIO, MAIS MAU E MAIS SEM-VERGONHA QUE NUNCA.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
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Sexta-feira, Julho 27, 2007



Sentado em uma mesa de um café qualquer, tomando chá com leite e comendo uma fatia de uma torta qualquer estava eu, ouvindo a música Get Me Out dos britânicos do New Model Army e imaginando... Bobagens talvez, quando comecei a ver bizarrices pelas ruas da cidade. Bom, pelo menos na rua que passava em frente ao café... Se bem que, a coisa toda chegou a níveis alarmantes de domínio, tomou conta de toda a cidade; veja você que, enquanto triturava um pedaço de noz, ou sei lá que fruto era aquele que encontrei na torta, Toninhos e mais Toninhos da extinta Renovar passeavam pelas calçadas gritando: “Isso sim é Renovaar!”. Tal coisa me cheirou maluquice da parte de alguém, mas em princípio não dei muita atenção ao fato. Assim sendo, enfiei mais uma garfada desta torta, que não sabia de que sabor era, na boca.

Minutos mais tarde, durante uma tentativa frustrada de tirar resíduos da tal noz, ou seja lá o que fosse aquilo dos dentes, um caminhão do Lixo que não é Lixo passou anunciando aos berros que na Boca Maldita aconteceria uma apresentação espetacular da Família Folha. A partir daí passei a ver pessoas desfilando com cara de folha em vários lugares, e neste exato momento cuspi aquela maçaroca de nozes com ameixa ou tomate no chão do café, e fui até a porta do estabelecimento para conferir de perto o que meus olhos embaçados registraram estupefatos.

Contudo, quando consegui me levantar da cadeira resolvi, antes de executar a ação planejada, olhar ao meu redor, só por curiosidade, mas confesso que fiquei tremendamente assustado quando vi a clientela do recinto formada por vários oils mans. Todos dentro daquelas sungas de cores cítricas, porém, em diferentes tonalidades, mas claro, totalmente ridículas. Logicamente que todos estes seres estavam a me olhar e a cantar músicas do Elvis Presley. Apressei-me em pagar minha conta. Queria sair o mais rápido possível daquele ambiente ligeiramente doentio. Mas veja como são as coisas, pisar na merda sem escorregar nela não é tão emocionante, e comigo a coisa soou da maneira mais emocionante ainda. Quando me dirigi ao caixa dei de cara com o Inri Cristo fazendo a cobrança das contas. O que foi que fiz? Larguei o dinheiro no balcão com os dez por cento do garçom mais o dízimo para a paróquia e saí correndo.

Corri pelas ruas até não agüentar mais... Bom, pelo menos penso que corri, pois meu pé de plástico não me permite grandes movimentações além das caminhadas trôpegas por estas calçadas tortuosas que mais parecem os pensamentos da Maria Louca. E por falar nela, avistei mais de uma dúzia dela fazendo arrastão na Praça Osório e agarrando tudo quanto era gente fardada que passava por lá. Imediatamente tratei de mudar de rumo, dirigi-me para o lado da catedral. Lá eu peguei a saída da missa e suas dezenas de beatas com cara de sino badalando desvairadamente.

De repente tropecei em alguma coisa, e só tropecei pelo fato de correr, ou pelo menos tentar correr sem olhar para o caminho que segue. Onde tropecei? Em um dos pés daquele ser gigante, pavoroso e pelado que fica na Praça 19 de Dezembro. Refeito do tombo, mas avariado, cheio de escoriações e em piores condições daquelas que já estava, peguei uma rua qualquer e segui em frente. Um pouco mais adiante resolvi dobrar numa outra rua, pois já estava tempo demais caminhando na mesma direção. Lá pelas tantas estava eu diante daquele estranho tripé formado por um cemitério, uma pista de skate e um bar. Agora, diante destas opções só uma realmente era de meu agrado... Não! Claro que não era o cemitério! Era o bar, puxa vida! Quanta demora para entender meus gostos heim. Mas, tudo bem, já estou acostumado com ignorantes.

O bar era o Bar do Pudim, sem problemas até aí, o dono do estabelecimento tinha a aparência de um... Pudim, claro. Claro: veja; a esta altura dos fatos nada mais me assustava mais do que a famigerada Loira Fantasma, entidade esta que assustava taxistas no final da década de 70, e que, por sinal, compunha toda a clientela do boteco naquele momento. Que fiz eu? Borrei-me todo por certo. Que fiz eu depois? Saímos todos às pressas de lá, ou seja, eu, minha barriga, meu pé de plástico, meu cérebro embebido no formol e meu chapéu. E para onde fomos todos? Oras, rolamos eu e todos os meus apêndices rua abaixo até chegarmos perto do Largo da Ordem. Caminhei um pouco mais e lá me deparei com o Odil e seu Ao Distinto Cavalheiro e a turma toda em grande festa bem no meio do Largo ao som da música Maple Leaf Rag, um ragtime de primeira de Scott Joplin. E para completar a maluquice daquele instante, aquela horrível cabeça de cavalo que vomita água a me dizer: "vai mijar Baltazar, vai mijar Baltazar". Não sou especialista no assunto, mas comecei a crer que aquilo era um caso de... Histeria, talvez... Sei lá.

A coisa toda estava uma loucura. Uma situação incontrolável e tenebrosa. Tentava eu fugir de todas aquelas aparições, mas meus esforços eram inúteis. E após caminhar quadras e mais quadras em passadas alucinantes e desiguais me deparei, por mais uma vez, com o caminhão do Lixo que não é Lixo perto do Teatro Guairá tocando aquele sino idiota enquanto fazia seu percurso. Claro que a porra da Família Folha estava lá, sorrindo, com os sorrisos estúpidos que só as folhas sabem dar, e mais, defecando folhas de eucalipto. Enquanto todo devaneio, digo, pesadelo acontecia, tanto o Vampiro quanto a Polaquinha se esgueiravam pelos arbustos existentes no lado do teatro, e, em movimentos sincronizados e animalescos faziam um sexo pra lá de sanguinolento. O mais interessante, ou, o mais absurdo que essas coisas pudessem representar, ainda não se comparava com a frase que invariavelmente diziam para mim. Frase esta que era: "vai mijar Baltazar". Logicamente que considerei todas essas bobagens em bobagens puras, claro.

Então, quando tudo parecia fora de controle a coisa piorou de vez, e entre as armas de guerra da Praça do Expedicionário uma multidão de nós cegos, de orelhas-secas, de orelhas-moles, de Zé-orelhas e de bocas-de-burros gritavam, no maior clima apoteótico a seguinte frase: "vai mijar Baltazar". E depois destes incentivos não deu outra, parei de frente para a Praça Zacarias, isto depois de ter escorregado de bunda até lá, logicamente, e passei a urinar. E a urinar com todo o gosto ainda por cima.

Os rios da cidade tornaram-se caudalosos a partir daí. O Rio Ivo, fétido como sempre, continuou fétido depois do que fiz. Contudo, ficou mais volumoso, bonito até. Seu volume transpassou todas as barreiras impostas a ele. Inundou todo o centro da cidade... Curitiba parecia uma Veneza; não que isto seja alguma novidade... Mas; o Rio Belém teve seu volume triplicado, as favelas que ficam às margens deste rio desapareceram. Fui ovacionado. A elite municipal me aclamou herói. Um busto foi erguido em minha homenagem... Louros... Bom, quanto ao Rio Barigüi... Este sim, virou a vedete da cidade. Surgiram, em suas plácidas águas, ondas com mais de quinze metros. E nessas ondas gigantes a família de jacarés que habita o parque aproveitou as ondas para pegar jacaré... Ã... Houve até campeonato de surfe neste momento. Foi o maior sucesso.

Porém, em casa a história tomou um rumo diferente e alcançou níveis alarmantes de gritaria. Enquanto eu dava minhas braçadas espetaculares num magnífico nado estilo borboleta, a Olga se arremessava da cama para não morrer afogada pelos lençóis empapados que se transformavam categoricamente em ondas sacolejantes, típicas das marolas de alto-mar. Digo que até o Corpo de Bombeiros fora chamado para conter a inundação. Já o pessoal de casa, que tentava recobrar suas lembranças quase varridas de suas memórias, a Olga, minha senhora, preparava naquele momento um delicioso chinelo de borracha para minhas pernas... Mas isto é uma outra história.


Uma tarde tomando cerveja... que maravilha! Assim foi minha tarde.


Sucos também tomei, mas já começava a sentir um frio nos pés. Talvez fosse pela umidade do tempo. Afinal, caiu muita chuva por estes últimos dias.


A noite, antes de dormir, e por incrível que pareça, tomei um longo e relaxante banho.


E continuei no banho por mais alguns minutos. Bom, sei que após reclamações eu desliguei o chuveiro e fui dormir, um tanto enrugado até, mas tudo bem.


E sabe que depois que sonhei toda aquela maluquice pelas ruas e locais da cidade vi os familiares daquela empresa de chá dizendo sabe o que? Não! Não é: vai mijar Baltazar, e sim; vai tomar chá Baltazar. Engraçado isto não é? É, talvez seja.


Bom, depois de tudo que tomei, mais o relaxante banho não deu outra; alaguei tudo. Mijei, e mijei mesmo por sei lá quanto tempo. Ao final fiquei com as pernas inchadas pois a Olga me chinelou algumas dúzias de vezes. Mas tudo bem, pelo menos fiz meu xixizinho na buena.

Oiram Bourges 16:59 [+]
Terça-feira, Julho 17, 2007


Nestes de tempos de calor errado estava eu assistindo tevê enquanto cortava e desencravava as unhas dos pés. Para me alegrar, ou pelo menos me incentivar nesta atividade nada agradável, deixei uma lata de cerveja parada diante de mim. Logicamente que fiz todo o trabalho sem tomar um único gole sequer, pois na última vez que resolvi beber e cortar as unhas dos pões não foi uma boa idéia; quase arranquei minha pele e por pouco não decepei meus dedos. E tudo isso por falta de habilidade com o cortador. Aliás, falta-me habilidade para lidar com qualquer coisa cortante... Até com aparelho de barbear eu me destruo.

Bom, o televisor estava ligado, mas eu não assistia nada também; primeiro por que não tem nada de bom para se ver, e segundo por que é um tanto perigoso para mim, tentar fazer duas ou mais atividades ao mesmo tempo quando estou de posse de algo cortante. Então, lá pelas tantas, depois de parecer que o mundo entrava realmente em harmonia para com a minha pessoa, sussurros da Olga surgiam sorrateiramente e com intenções marotas a ponto de tirar minha concentração. Se bem que para isto nem requer muita coisa. Mas... De quando em quando sentia sua língua fazendo uma varredura completa nas paredes mal arquitetadas de minhas orelhas. Calafrios percorriam pelo meu corpo estonteantemente. Sentidos estes que começavam nas minhas sobrancelhas esvoaçantes e escorregavam vertiginosamente até os poucos e zombeteiros pêlos que se esparramam irrisoriamente sobre os peitos horrendos dos meus pés brancos e chatos. Veja; na verdade apenas sobre um peito de pé, pois o outro é de plástico, sendo assim, não tem pêlos.

Então, sentindo-me dominado por uma sensação bestialmente incontrolável comecei a rebolar, digo, retorcer como se fosse uma lesma que cai inadvertidamente sobre um punhado de sal. A irracionalidade tomou conta da minha mente. Eu não respondia por mim... Bem; nunca respondi por mim mesmo, mas tudo bem, e após ficar em êxtase por duas ou três vezes, mais o ato de arrepiar e melar, consegui dominar meus sentimentos animalescos que brotaram em forma de peidos. Com isso pude sentir meu cérebro funcionando novamente. Que estranho, pensei, o que acabara de sentir fora, sem sombra de dúvida, algo único, e que me fizera levitar por alguns milionésimos de segundo, continuei pensando. Mas depois tudo parou de repente. Como se nada tivesse acontecido.

Depois de uns trinta ou quarenta minutos em um ritmo frenético de conflitos percebi que estava na mesma posição de quando me sentei para cortar as unhas. Porém, sem ao menos ter começado efetivamente a podar os cascos que contornam os horripilantes dedos dos meus famigerados pés. Daí resolvi olhar para os lados e procurar minha senhora, havia uma gostosinha sensação de... Sei lá o que no ar. Isto me fez sentir que algo de bom poderia acontecer a qualquer momento. Não encontrei a Olga do meu lado depois disto, em compensação encontrei uma trilha de pétalas de rosas espalhadas pelo chão. Vocês sabem que não gosto de flores, mas que se danem as tais pétalas caminhei por cima de todas elas até esfarelarem por completo. Quanto à unha, decidi-me abandonar esta idéia absurda. Mesmo por que, há qualquer momento eu posso fazer esta atividade de cortar unhas. Tenho tempo de sobra.


Aqui a Olga me observava enquanto eu tinha meus excessos e acessos de loucura... Tudo por causa de umas lambidas no ouvido.

Oiram Bourges 13:55 [+]

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